quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Bulimia Nervosa (BN)



Na BN, a auto-avaliação também é excessivamente influenciada pela forma e peso do corpo. Porém a característica essencial da BN, que também é o que a diferencia da NA, é a presença da compulsão alimentar periódica e de métodos compensatórios inadequados para evitar o ganho de peso (ou seja, a pessoa come muito (muito mesmo) em um curto espaço de tempo e tenta compensar erroneamente no intuito de não engordar).

Algumas características da Bulimia Nervosa


  • Sentimento de falta de controle sobre o comportamento alimentar durante o episódio bulímico;



  • A técnica compensatória mais comum é a indução de vômito após um episódio de compulsão. Esse método purgativo é empregado por 80 a 90% dos pacientes com BN. Os efeitos dos vômitos incluem alívio do desconforto físico e diminuição do medo de ganhar peso.



  • Nem todas as pessoas com bulimia utilizam os vômitos como método compensatório. Muitos utilizam diuréticos, laxantes ou até mesmo excesso de atividade física.



  • Os métodos compensatórios não funcionam para perder peso e acabam aumentando (como um circulo vicioso) ainda mais a compulsão alimentar, visto que pacientes bulímicos, na sua grande maioria, apresentam peso normal ou sobrepeso, o que dificulta ainda mais seu diagnóstico (muitas pessoas bulímicas escondem por muitos anos seus hábitos).



  • Para qualificar o transtorno, a compulsão alimentar e os comportamentos compensatórios inadequados devem ocorrer, em média, pelo menos duas vezes por semana pelo período de 3 meses.

A bulimia pode ser do tipo Purgativo (presença de vômitos ou uso de laxantes, diuréticos e enemas) ou do tipo sem Purgação (jejuns ou exercícios físicos em excesso)

Algumas conseqüências da bulimia
anemia, batimentos cardíacos irregulares, pressão baixa, falência cardíaca, desidratação, desequilíbrio eletrolítico, constipação, diarréia, problemas hormonais, depressão, baixa auto-estima, bochechas inchadas, aumento do número de cáries dentais, erosão do esmalte dental, irritação do esôfago, ruptura do esôfago, hemorragia digestiva, ruptura do estomago, pele seca, unhas fracas, entre outros.

Tratamento dos Transtornos Alimentares

O tratamento é bastante difícil, mas hoje se sabe que os melhores resultados são alcançados através de equipes multidisciplinares (acompanhamento nutricional, clínico e psicoterápico). A adesão dos familiares se mostra extremamente importante, pois é uma doença que requer bastante cuidado, uma vez que no inicio a maioria dos pacientes não aceita o tratamento ou se quer aceita ter uma doença.
O tratamento nutricional tem duas fases: a fase experimental, onde o objetivo é alcançar uma dieta balanceada e suficiente para recuperar o peso e o estado nutricional debilitado pela doença e a fase educacional, que visa a melhora dos comportamentos alimentares e o abandono das crenças alimentares errôneas.

Na equipe de Transtornos Alimentares do HCPA o tratamento nutricional se resume a atendimento individual e grupos de educação nutricional.


A influência cultural tem sido apontada, atualmente, como uma forte fonte desencadeante; o corpo magro é visto hoje como símbolo de beleza, poder, autocontrole e modernidade. Desta forma, as propagandas de regimes convencem o público de que o corpo pode ser moldado de qualquer jeito, a qualquer custo.

Todos esses fatores podem contribuir com o aparecimento de TA’S, mas na prática sabemos que todo esse sofrimento vai muito além da questão estética...Hoje, acredita-se que as causas dos TA’S podem ser socioculturais, psicológicas, individuais e familiares, neuroquímicos e genéticos.

sábado, 10 de janeiro de 2009

Os danos que a bulimia pode causar nos orgãos


Neurotransmissores de pessoas com Compulsão Alimentar são semelhantse aos de viciados em drogas

Estudo recente publicado na Nature Neuroscience mostrou pela primeira vez que os mecanismos moleculares envolvidos nos vícios relacionados às drogas são os mesmos por trás da compulsão alimentar. A pesquisa mostra claramente como, em ratos, a compulsão e o desenvolvimento da obesidade coincide com a deterioração do equilíbrio químico no cérebro. Quando os centros do prazer respondem menos, os ratos desenvolvem hábitos compulsivos, principalmente quanto a alimentos ricos em calorias e gorduras. As mesmas alterações químicas são observadas em animais que consomem drogas como cocaína e heroína. De acordo com um dos autores do estudo, Dr. Paul J. Kenny, o trabalho levou quase 3 anos para ser concluído, e confirma o poder viciante dos "junk foods", alimentos com baixo teor nutricional. No estudo, os animais continuavam a comer compulsivamente mesmo quando percebiam que iriam levar choques elétricos. E mais, dentre os alimentos oferecidos, os animais sempre consumiam os que mais contribuem com o ganho de peso como salsichas, bacon e bolos. Quando os alimentos foram retirados e substituídos por opções saudáveis, eles simplesmente recusavam-se a comer, o que continuou por duas semanas. De acordo com o pesquisador, comportamentos compulsivos ou vícios estão relacionados a mecanismos cerebrais de recomensa. Quando estes são hiperestimulados algum problema se desenvolverá. Na pesquisa, os animais não paravam de comer ou entrariam em um estado depressivo. O foco da pesquisa foi o receptor D2 para dopamina. A dopamina é um neurotransmissor liberado no cérebro em resposta a experiências prazerosas como o consumo de alimento, cocaína, álcool ou mesmo atividade física ou sexual. O consumo de cocaína, por exemplo, altera o fluxo de dopamina ao bloquear sua secreção normal. No caso, este hormônio importante para o bem estar só será secretado com o consumo da droga, em doses cada vez maiores. O mesmo acontece com as comidas altamente prazerosas, ricas em gordura e açúcar. Na pesquisa o problema de compulsão nos aminais foi desenvolvido nos ratos após a contaminação por um vírus que danifica o receptor de dopamina. No dia seguinte à infecção por vírus o acesso aos alimentos altamente palatáveis já os fez tão compulsivos quanto animais que já tinham acesso a estes alimentos a várias semanas. De qualquer forma, a mensagem é de que não devemos nos expor demais a alimentos ruins ou o vício aparecerá. Há, e nem deixe seus filhos exporem-se demais a estes alimentos.


Referência: Paul M Johnson, Paul J Kenny. Dopamine D2 receptors in addiction-like reward dysfunction and compulsive eating in obese rats. Nature Neuroscience, 2010.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Meninas bem instruídas têm risco maior de transtorno alimentar


Estudo acompanhou mais de 13 mil mulheres entre 1952 e 1989.Elas sentem pressão familiar para ser bem-sucedidas, conclui pesquisa.




Garotas de famílias de alto nível de instrução e que apresentam bom aproveitamento escolar parecem correr risco maior de sofrer de transtornos alimentares, possivelmente por sofrer mais pressões para ter sucesso na vida, revelaram pesquisadores suecos.
Um estudo que acompanhou mais de 13 mil mulheres nascidas na Suécia entre 1952 e 1989 constatou que, quanto mais alto o nível de instrução de seus pais ou de suas avós, maior o risco de as garotas


O risco subia paralelamente às notas das meninas na escola de segundo grau, reportaram pesquisadores do Instituto Karolinska, de Estocolmo, no "American Journal of Epidemiology".


"É possível que essas meninas sintam mais pressão familiar para terem sucesso --o que, para algumas, pode traduzir-se numa obsessão por controlar sua ingestão de alimentos e seu peso", disseram os pesquisadores em comunicado.


Eles acrescentaram que as meninas com aproveitamento escolar maior também tendem a apresentar determinados traços de personalidade, como o perfeccionismo, que as tornam relativamente mais vulneráveis às desordens alimentares.