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terça-feira, 26 de abril de 2022

Você imagina o que está por trás das suas escolhas alimentares? Porque você escolher comer o que você come? O nosso comportamento alimentar é um conjunto de ações que envolve a escolha até a ingestão alimentar. ⠀ ⠀

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As nossas emoções, memórias, cultura, rotina, o ato de comer estão envolvidos, de forma consciente ou inconsciente, com nossas escolhas alimentares.

A microbiota intestinal é o conjunto de bactérias que vivem no trato gastrointestinal e possui um papel importante no comportamento alimentar, influenciando nossas escolhas através do apetite, peso e humor. Olha só:
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Apetite:
A microbiota pode influenciar o tamanho do seu apetite. Isso porque afeta diretamente a detecção de nutrientes, além de influenciar a produção de grelina e leptina, harmônios reguladores de apetite e saciedade. ⠀

Humor:
Alterações na microbiota podem facilitar ou dificultar a absorção de triptofano, aminoácido obtido pela alimentação e necessário para produzir serotonina. O sistema gastrointestinal produz em média 95% da serotonina, neurotransmissor ligado ao bem-estar e com papel destacado em casos de depressão e ansiedade. ⠀

Desejo por doces:
As bactérias são capazes de influenciar a maneira como você se alimenta. O desejo por doces pode ser motivado por memórias afetivas e também por uma busca de nutrientes específicos e até pela expressão de receptores relacionados ao sabor. Assim, a microbiota em desequilíbrio aumenta as chances de você consumir alimentos com nutrientes que a favoreçam.

Por esses motivos que para emagrecer e fazermos mudanças alimentares, é fundamental garantir que a microbiota intestinal esteja bem equilibrada. ⠀ ⠀

Como está a sua microbiota intestinal? O nutricionista é o profissional que trabalha com a modulação intestinal. Um trabalho preditivo que faz toda a diferença para a sua saúde, prevenção de doenças e habitos alimentares. 

domingo, 21 de junho de 2020

Por mais difícil que pareça, essa sensação de descontrole com a alimentação, tem cura sim. 
Segue abaixo algumas dicas importantes para quem tem compulsão alimentar: 


👉Aprenda a se conectar com sua fome e saciedade: Comer de 3 em 3 horas quando não se está com fome, só atrapalha sua real conexão. Observe a diferença entre os sintomas do seu estômago cheio e vazio. 

👉Procure ingerir alimentos naturais ricos em fibras e proteínas, que fornecem saciedade. Evite os processados que alimentam e saciam muito pouco. 

👉Beba água: Muitas vezes temos dificuldade em diferenciar se estamos com fome ou apenas sede. 

👉Não faça dieta restritiva. Procure uma nutricionista especializada que trabalhe com ferramentas de compulsão alimentar. Você precisa se relacionar bem com o alimento, diferenciar fome e desejo de comer e não de mais uma dieta. Muitas vezes um plano alimentar, contagem de calorias, balança, dieta, só pioram a situação.

 👉Entenda o gatilho que causa sua compulsão: Todo comportamento vem de um sentimento, causado por um pensamento sobre algum fato que aconteceu. Tente observar o que você está sentindo e o porque desse sentimento. 

👉Pratique atividade física: o exercício além de melhorar metabolismo e massa muscular, ajuda a produção de neurotransmissores, precursores de hormônios como a serotonina, que fornece sensação de bem estar, por exemplo.

👉Fazer terapia é muito bom para o autoconhecimento. Muitas vezes ela é fundamental no tratamento. Conto com esse trabalho em equipe principalmente nos transtornos alimentares.

domingo, 7 de maio de 2017

Alimentos para comer sem culpa: todos!

Alimentos que você pode comer sem culpa: você deve comer todos alimentos sem culpa! Comer é prazer e portanto não é legal comer com o sentimento de culpa. Pesquisas apontam que a culpa pode atrapalhar a perda e a manutenção do peso. Isso porque frequentemente as pessoas que se sentem culpadas não mostraram atitudes mais positivas ou mais esforçadas para se manterem saudáveis, se comparadas com aquelas que celebram o bolo de chocolate eventualmente.
DICA DA NUTRI: Se você decidir comer uma fatia de um delicioso bolo de chocolate: coma, deguste e delicie-se conscientemente. Comer é prazer, sim. Mas lembre-se de que existem outras coisas além de comer que podem trazer muito prazer também, como o prazer de se cuidar e se sentir saudável. Equilíbrio é tudo.
O você gosta de comer mas sente-se culpado?
#comersemculpa #emagrecimento #perdadepeso #reeducaçãoalimentar
#comportamentoalimentar

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

DICAS PARA NÃO GANHAR PESO NO INVERNO

Confiram as dicas que dei recentemente ao Blog Barra de Cereal, da Jornalista Aline Mendes: 

No inverno, o metabolismo fica mais acelerado, mas por outro lado, a fome aumenta na tentativa de buscar alimentos mais calóricos para aquecer o corpo do frio. Portanto, para não ganhar peso no inverno é interessante adaptar as preparações tradicionais por preparações menos calóricas, de preferência bem quentinhas. Veja as dicas da nutricionista Ana Carolina Bragança, da Clínica Nutrissoma.
1 - Não diminua o consumo de frutas - Um dica é retirar as frutas da geladeira 30 minutos antes de consumi-las. Também é possível “assar” as frutas no micro-ondas e colocar canela. Banana e maçã ficam uma delícia.
2 - Aposte no consumo de chás sem açúcar ao longo do dia - Aquecem o corpo sem fornecer calorias. O chá verde, por exemplo, é antioxidante e termogênico.
3 - Cuidado com o chocolate quente -  Pode ser mais saudável, quando preparado com leite desnatado e cacau em pó ao invés de achocolatado (ricos em açúcar).
4 - Prepare um quentão menos calórico - Usando adoçante, deixando o álcool evaporar, incluindo gengibre, canela e cravo. Fica bem mais magrinho.
5 - Na Tábua de queijos e vinhos, dê preferência aos queijos brancos, acrescentando orégano e azeite de oliva. Quanto ao vinho, não ultrapasse o consumo moderado de uma taça ao dia (quando não houver contra-indicação), e prefira o tinto que contém maior concentração de antioxidantes.
6 - Aposte nas sopas magrinhas com pedaços - Utilize legumes diversos (cenoura, couve, brócolis, abobrinha, abóbora), coloque somente uma fonte de carboidrato (batata, mandioca, mandioquinha, macarrão, arroz ou crutons, de preferência integrais), utilize uma carnes magras, vermelha ou branca. Inclua gengibre ou pimenta, que são alimentos termogênicos e fazem o corpo queimar mais calorias. Evite incluir creme de leite e queijos gordurosos. Para a sopa saciar mais, experimente deixar alguns pedaços de carne e de legumes inteiros, sem processar, pois mastigar é um mecanismo fundamental para a saciedade.
7 - Cuidado com o fondue - Na receita do fondue de queijo, utilize como base, o requeijão light e opte por queijos mais magros. De acompanhamento, dê preferência aos pães integrais, legumes cozidos e crus como acompanhamento. Já no fondue de chocolate, faça-o numa consistência mais fina, com chocolate amargo e aposte nas frutas como acompanhamento.
Acesse a matéria original clicando aqui

quinta-feira, 13 de março de 2014

O QUE É ORTOREXIA NERVOSA?

O termo ortorexia nervosa vem do grego “orthos”, que significa “correto”, e “orexis”, que quer dizer “apetite”. Foi utilizado pela primeira vez em 1997 por Steven Bratman para designar um quadro obsessivo caracterizado por fixação pela saúde alimentar, que resulta na criação de rituais e adoção de uma dieta restritiva, com consequente isolamento social1,2
 
A ortorexia nervosa não é reconhecida oficialmente como um transtorno alimentar (TA) e ainda existem poucas publicações sobre o tema na literatura científica. No entanto, a discussão sobre quando o comportamento alimentar se torna “obsessivamente saudável” deverá aumentar nos próximos anos, sendo de interesse para profissionais de saúde que trabalham com a promoção de hábitos alimentares saudáveis3.
 
As características observadas em indivíduos com ortorexia nervosa incluem a preocupação exagerada com a escolha dos alimentos e com a pureza da dieta, que deve ser livre de agrotóxicos, corantes, conservantes, ingredientes geneticamente modificados e excesso de gorduras saturadas, sal e açúcar. Também podem fazer parte do ritual obsessivo o modo de preparo dos alimentos (ex: somente hortaliças cortadas de determinada maneira) e os utensílios utilizados (ex: somente cerâmica, madeira, etc). Neste contexto, a alimentação passa a ser a preocupação central do dia a dia, para a qual o indivíduo dedica cada vez mais tempo1,2,3.
 
Os aspectos da personalidade das pessoas mais vulneráveis à ortorexia podem, segundo Bartrina (2007)1, ser semelhantes àqueles observados na anorexia nervosa. São, em geral, pessoas meticulosas, perfeccionistas, organizadas, com uma necessidade exagerada de autocuidado e proteção. Porém, diferente da anorexia nervosa, cuja ideologia é focada na perda de peso, a ortorexia busca alcançar a “dieta saudável perfeita”. Nesse sentido, o comportamento ortoréxico traz a criação de regras rígidas e a sensação de superioridade e desprezo em relação às pessoas que não adotam as mesmas normas em sua alimentação e estilo de vida3.
 
O diagnóstico pode ser feito por meio de um instrumento validado por pesquisadores italianos, intitulado ORTO-15. Este contém questões de múltipla escolha abordando atitudes obsessivas relacionadas à escolha, aquisição, preparo e consumo de alimentos considerados saudáveis4. A partir desta ferramenta, estudos internacionais sugerem que estudantes de medicina, médicos, nutricionistas, pessoas com sintomas de ansiedade e que supervalorizam o corpo perfeito constituem grupos suscetíveis ao desenvolvimento da ortorexia nervosa3.
 
No Brasil, o tema foi estudado por Alvarenga et al. (2012)5, que investigaram o comportamento ortoréxico em uma amostra de 392 nutricionistas que responderam ao teste ORTO-15 online, em versão em português. Foi possível observar uma tendência ao comportamento ortoréxico, em aspectos como a escolha de alimentos relacionada à qualidade nutricional ao invés do sabor, a crença de que alimentos saudáveis podem melhorar a aparência física e a rejeição de escolhas alimentares consideradas como transgressões. Mas, novas investigações são necessárias para confirmar a validade e confiabilidade do instrumento traduzido para uso em nossa população1, a fim de conhecer a prevalência da ortorexia.
 
O tratamento da ortorexia requer a participação de equipe multidisciplinar, composta por médicos, psicólogos e nutricionistas especializados. Tão importante quanto é o debate entre profissionais de saúde e toda a sociedade sobre o que significa a “alimentação saudável”, que não deve ser vista apenas do ponto de vista biológico, classificando alimentos em “bons”ou “ruins”, “saudáveis” ou “não saudáveis”, e sim em sua totalidade que engloba aspectos sociais, culturais, religiosos, entre outros3.
 
Referências:
1) Bartrina JA. Ortorexia o la obsesión por la dieta saludable. Archivos Latinoamericanos de Nutrición 2007; 57(4): 313-315.
 2) Bratman S, Knight D. Health Food Junkies: Orthorexia Nervosa: Overcoming the Obsession with Healthful Eating. New York: Broadway Publisher; 2001.
 3) Martins MCT, Alvarenga MS, Vargas SVA, et al. Ortorexia nervosa: reflexões sobre um novo conceito. Rev Nutr 2011; 24(2): 345-357.
 4) Donini LM, Marsili D, Graziani MP, et al. Orthorexia nervosa: validation of a diagnosis questionnaire. Eat Weight Disord. 2005; 10(2):e28-e32.
 5) Alvarenga MS, Martins MC, Sato KS, et al. Orthorexia nervosa behavior in a sample of Brazilian dietitians assessed by the Portuguese version of ORTO-15. Eat Weight Disord 2012; 17(1): e29-35.
 

NOVOS MECANISMOS DE SACIEDADE A SENSAÇÃO DE SACIEDADE É INFLUENCIADA DE MUITAS MANEIRAS ALÉM DOS PEPTÍDEOS INTESTINAIS

A sensação de saciedade, ou seja, de satisfação do apetite após uma refeição, envolve a modulação da distensão gástrica, mudanças na motilidade intestinal e a secreção de hormônios gastrointestinais que suprimem a fome, como colecistocininina (CCK), peptídeo semelhante ao glucagon 1 (GLP-1) e peptídeo YY (PYY). Além destes mecanismos já conhecidos, alguns outros são investigados na literatura atual3,4.
A composição de macronutrientes da dieta é capaz de modular o apetite e sabe-se que as proteínas têm o maior poder de conferir saciedade. No sistema nervoso central, aminoácidos circulantes e peptídeos intestinais desencadeiam a ativação de neurônios adrenérgicos e noradrenérgicos no núcleo do trato solitário e de neurônios do sistema das melanocortinas no núcelo arqueado, tendo efeito anorexigênico. Há também evidências de que os níveis circulantes de leucina possam modular a ingestão alimentar, influenciando sensores de energia no núcleo arqueado do hipotálamo e de que dietas ricas em proteínas levam à inibição da ativação de neurônios opióides e que secretam GABA no núcleo accumbens, com consequente supressão da ingestão alimentar via diminuição da resposta hedônica aos alimentos2.
De acordo com Fromentin et al. (2012)2, no futuro ainda será necessário estudar de forma mais precisa a interação entre diferentes áreas do cérebro e a adaptação de circuitos neuronais em decorrência da ingestão de dietas ricas em proteínas. Outra área de estudo é a que investiga o impacto da ativação de proteases bacterianas a partir do escape da digestão de proteínas dietéticas e endógenas, que permite que frações proteicas cheguem ao intestino grosso, onde geram substratos de diversas estruturas. Este papel das proteínas no controle da ingestão alimentar via microbiota intestinal ainda é praticamente desconhecido.

A sensação de saciedade desencadeada por proteínas também parece ser mediada por receptores µ opióides (MORs) na veia porta. Segundo de Vadder et al. (2013)1, a digestão de proteínas libera peptídeos na circulação portal que agem como antagonistas de MORs, iniciando um circuito entre intestino e cérebro que resulta na indução de gliconeogênese intestinal (IGN), função relacionada à saciedade. A indução da IGN parece ser um dos fatores responsáveis pela inibição da fome observada em pacientes após do procedimento bypass gástrico, um dos tipos de cirurgia bariátrica realizada em casos de obesidade mórbida.
Em suma, o progresso recente da ciência nos permitiu entender como os macronutrientes, especialmente as proteínas, sinalizam ao cérebro para promover redução do apetite e da ingestão alimentar, e a importância de neurônios extrínsecos ao sistema gastrointestinal, como os que expressam MORs, na percepção e envio dos sinais de saciedade ao cérebro. As especificidades destes mecanismos permanecem a ser elucidadas, com potencial de resultar no desenvolvimento de novas abordagens para o tratamento e prevenção de doenças metabólicas que decorrem do desbalanço entre ingestão e gasto de energia, responsável pelo ganho de peso3.
Referências:

1) De Vadder F, Gautier-Stein A, Mithieux G. Satiety and the role of μ-opioid receptors in the portal vein. Curr Opin Pharmacol 2013 pii: S1471-4892(13)00163-X.
2) Fromentin G, Darcel N, Chaumontet C, et al. Peripheral and central mechanisms involved in the control of food intake by dietary amino acids and proteins. Nutr Res Rev 2012; 25(1): 29-39.
3) Mithieux G. Nutrient control of hunger by extrinsic gastrointestinal neurons. Trends Endocrinol Metab 2013; 24(8): 378-384.
4) Schwartz GJ, Zeltser LM. Functional organization of neuronal and humoral signals regulating feeding behavior. Annu Rev Nutr 2013; 33: 1-21.

COMPORTAMENTO ALIMENTAR: NOVAS LINHAS CONCEITUAIS

O comportamento alimentar engloba os procedimentos relacionados às práticas alimentares (o que se come, quanto, como, quando, onde e com quem se come; a seleção de alimentos e os aspectos referentes ao preparo da comida), que por sua vez estão associados a atributos socioculturais, ou seja, aos aspectos subjetivos individuais e coletivos relacionados ao comer e à comida1. Vários estudos publicados nos últimos anos confirmam a importante influência do ambiente e do autoconhecimento sobre o comportamento alimentar2. Alguns conceitos têm sido discutidos, como os de mindful eatingintuitive eating e midless eating, os quais serão abordados a seguir.

mindful eating, ou “comer consciente”, está relacionado a prestar atenção aos sinais de fome e saciedade. Envolve a diminuição do ritmo das refeições, valorizando a mastigação e o ato de saborear os alimentos; alimentar-se distante de distrações como televisão e computador; estar ciente dos sinais de fome e saciedade e utilizá-los para tomar a decisão de começar e terminar as refeições; reconhecer as respostas aos alimentos, como gostar e não gostar; escolher os alimentos que sejam prazerosos e nutritivos utilizando todos os sentidos ao comer; ter conhecimento e refletir sobre os efeitos causados por uma alimentação inconsciente, por exemplo, motivada por angústia, tédio ou tristeza e praticar a meditação como parte da vida4.

Um estudo com 150 pacientes obesos com diagnóstico de transtorno de compulsão alimentar que utilizaram ferramentas de conscientização do comer e meditação mostrou que a técnica levou à redução da compulsão e do número de episódios de comer dirigido pela emoção3,4.
intuitive eating, ou “comer intuitivo”, é um conceito complementar ao mindful eating, mas não necessariamente envolve a ideia de meditação. Os três principais componentes do comer intuitivo são: permissão incondicional ao comer, alimentar-se essencialmente por razões físicas ao invés de emocionais, e basear-se nos sinais internos de fome, plenitude e saciedade.  Um trabalho que acompanhou 1400 indivíduos demonstrou que aqueles que seguiam os princípios do comer intuitivo tinham menor peso corporal e maior sensação de bem estar, sem demonstrar preocupação excessiva com um tipo físico ideal5.

A ideia do comer sem restrições parece complicada a princípio, uma vez que as estratégias de aconselhamento geralmente se baseiam na definição de alimentos permitidos e proibidos. No entanto, segundo os pesquisadores da área, é justamente ao remover a noção de alimentos “ruins” ou “vilões” que as pessoas livram-se da culpa, a qual gera episódios de restrição e posteriormente a compulsão, que se torna um ciclo vicioso4.

“Mindless eating”, ou “comer sem pensar”, são as decisões sobre alimentação que ocorrem em meio à distração que o ambiente proporciona7. Esta distração é induzida pelos grandes tamanhos de porções de alimentos vendidas em supermercados ou oferecidas nos restaurantes, bem como pela pressa em comer ou pelo hábito de comer em frente à televisão. As intervenções baseadas nestes conceitos buscam capacitar as pessoas para perceber a influência do ambiente sobre sua alimentação, a fim de alterá-las de forma positiva6.

Assim, o nutricionista, em posse de um conhecimento mais aprofundado sobre os determinantes do comportamento alimentar, pode auxiliar o paciente a buscar autoconhecimento com relação aos seus sinais de fome e saciedade, além de incentivá-los a fazer as refeições com calma, saboreando os alimentos. Isto para que o comer deixe de ser automático e guiado totalmente pela influência do ambiente2, e se torne uma decisão voluntária para uma alimentação saudável, prazerosa e sem culpa.

Referências:
1) Alves HJ, Boog MCF. Comportamento alimentar em moradia estudantil: um espaço para promoção da saúde. Rev Saúde Pública 2007; 41(2): 197-204.
2) Cohen D, Farley TA. Eating as an automatic behavior. Prev Chronic Dis 2008; 5(1): A23.
3) Kristeller JL, Wolever RQ. Mindfulness-based eating awareness training for treating binge eating disorder: the conceptual foundation. Eat Disord 2011; 19(1): 49-61.
4) Mathieu J. What should you know about mindful and intuitive eating? J Am Diet Assoc 2009; 109(12): 1982-1987.
5) Tylka TL. Development and psychometric evaluation of a measure of intuitive eating. J Couns Psychol 2006; 53: 226-240.
6) Wansink B. From mindless eating to mindlessly eating better. Physiology & Behavior 2010; 100: 454–463.
7) Wansink B, Sobal J. Mindless Eating: the 200 daily food decisions we overlook. Environment and Behavior 2007; 39(1): 106-123. 

terça-feira, 24 de julho de 2012

Quem anota o que come emagrece mais

Aqui vão três recomendações eficazes, que nós nutricionistas não nos cansamos de sempre recomendar, elas saíram diretamente de estudo publicado no Journal of the American Dietetic Association, com 120 mulheres acima do peso:
1 – Registre tudo o que você come num diário (em papel ou na internet/celular).
Quem anota tudo o que come durante o dia, tem uma noção melhor da própria alimentação. No papel, fica mais difícil se auto-enganar. Mas, o próprio estudo diz, não pode mentir pra si mesmo. É pra anotar tudo, com as devidas quantidades e tamanhos.  As mulheres que fizeram isso emagreceram, em média, 3 quilos a mais do que as que não registraram nada. Uma outra pesquisa, feita em 2008, já havia mostrado que quem anota  o que come chega a reduzir em até 50% as calorias ingeridas.
2 – Não pule nenhuma refeição.
Novamente, quem deixou de tomar café, almoçar ou jantar, pensando estar emagrecendo mais rápido por causa disso, deixaram de perder 3,5 quilos em média, em comparação com as mulheres que fizeram religiosamente todas as refeições programadas durante o dia.  Pulando refeições, o metabolismo fica mais lento e a fome aumenta, o que leva geralmente a excessos na refeição seguinte.
3 – Evite sair para jantar.
Quem jantou em casa, emagreceu, em média, 2 quilos a mais do que quem saiu para comer fora. A explicação é simples: em casa, você programa o que vai comer, não é exposto a grandes tentações. Num restaurante, a oferta é mais variada e a chance de pedir um prato irresistível é bem maior.
A grande conclusão do estudo, que parece bem óbvia, mas nunca é demais repetir, é que você emagrece quando começa a prestar atenção ao que come. Só assim, consegue realmente escolher conscientemente – e cortar os excessos.
E, para quem não acha mais prático nem charmoso carregar um caderninho de anotações, tem alguns aplicativos bem práticos que ajudam a registrar e a contar as calorias ingeridas. Selecionei alguns, pra facilitar, mas tem muitas opções de aplicativos, e para todos os sistemas operacionais.
MyNetDiary Calorie Counter  (um dos mais populares, disponíveis para Iphone, Blackberry e Android)
*MyFitnessPall – (Além de contar as calorias, sugere programas de exercícios)
FitDay Mobile (Esse é pra Ipad, bem simplezinho)
*ShapeUpClub (Também disponível para Ipad, fácil de usar,  é bastante intuitivo
Fonte: Blog do Estadão

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Veja os riscos no uso de laxantes para emagrecer

Cada pessoa apresenta um hábito intestinal, sendo normal para algumas evacuar uma vez diariamente, para outras duas vezes ou mais ao dia. Muitas pessoas, mais especificamente as mulheres podem ficar um, dois ou até mais dias sem evacuar, o que ainda pode ser considerado normal.
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Acrescentamos nesse processo biológico ainda a influência psicológica de cada um, por exemplo, algumas mulheres que não evacuam se não for no banheiro de sua casa e, quando viajam, ficam dias sem satisfazer essa necessidade.
O hábito intestinal sofre influência de vários fatores, entre eles: alimentação rica em fibras ou não, quantidade de água ingerida, nível de estresse, alterações de rotina, etc. Normalmente, muitas pessoas já fazem uso de laxantes para melhor resultado de suas necessidades, mas é muito comum, quando em processo de emagrecimento, fazer uso sistemático e constante de chás laxativos ou outros medicamentos.
Laxantes são medicamentos que promovem a evacuação e alguns são irritantes da mucosa intestinal. No processo de emagrecimento, logicamente a quantidade de evacuações diminuem porque se ingere menos alimentos e pode aparecer a constipação.
Está na moda a utilização contínua de chás ditos naturais, que prometem ação laxante, mas seu uso abusivo e prolongado, além de não emagrecerem, podem desencadear um processo prejudicial ao organismo, principalmente devido às substâncias presentes nas plantas utilizadas na manipulação dos chás. Em excesso, esses compostos podem provocar e irritar a mucosa intestinal e evoluir para problemas mais sérios, segundo o especialista Dr. Flávio Antonio Quilici.
Os chás mais procurados no mercado para tratar a constipação são os de sene, cáscara sagrada e o extrato de ruibarbo, obtidos por meio da maceração das folhas dessas plantas, que também servem de matéria-prima para o desenvolvimento de medicamentos laxantes.
Acrescentam os especialistas que esses chás ou medicamentos não devem ser usados por mais de dois anos. No emagrecimento, o melhor a fazer é adequar a ingestão de alimentos ricos em fibras, como cereais, farelo de trigo, aveia, frutas com casca como ameixa preta, maçã e goiaba, entre outros.
A quantidade necessária de fibras deve ser de 20g para mulheres e 30g para os homens, diariamente, acrescidos de no mínimo dois litros de água por dia e exercícios físicos como caminhadas. Os doces, massas, gorduras, frituras e bebidas gasosas devem ser evitados.
O melhor e mais saudável é fazer com que os intestinos funcionem de modo natural através da própria alimentação e do estilo de vida associado aos exercícios.

Por Dr. José Rui Bianchi

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Tratamento para emagrecer: pense diferente e emagreça!


Durante esses anos trabalhando com nutrição clínica, passei a observar que a maior dificulade para as pessoas que conseguem emagrecer é manter pra vida toda o peso conquistado. Muitos desistem da dieta e recuperam o peso perdido.


Quando comecei a trabalhar com Transtornos Alimentares, aprendi alguma coisa sobre psicologia e terapia cognitivo comportamental. Nesse meio tempo fui pensando em como aliar essas técnicas, que são tão efetivas em pacientes com TA's, à perda de peso dos pacientes obesos ou com sobrepeso que me procuravam no consultório. Foi então que encontrei "A Terapia Alimentar". Esse foi o "apelido" que dei à técnica de terapia já existente proposta pela Dra. Judith S. Beck, psicóloga da Universidade da Pensilvânia.


A Terapia Alimentar é baseada em técnicas de terapia cognitiva, através de um programa que o paciente aprende a pensar de uma forma diferente, para que possa modificar seu comportamento - não apenas em curto prazo, mas para o resto da vida. Pesquisas mostraram que as pessoas podem aprender a mudar seu comportamento e, o que é mais importante, manter essa mudança.


A Terapia Alimentar é baseada na idéia de que se você não modificar sua maneira de pensar, você não conseguirá sustentar novos hábitos alimentares. O programa busca identificar as principais distorções que impedem as pessoas que fazem dieta a alcançar e manter o peso desejado.


Ajuda a identificar e mudar os "pensamentos sabotadores" cruciais como:


Racionalizações (Não há mal em comer isto porque...);


Subestimação das consequências (Comer isso não vai fazer diferença...);


Pensamentos auto-ilusórios (Já que exagerei um pouquinho, posso também comer tudo o que quiser no resto do dia...);


Régras arbitrárias (não posso desperdiçar alimentos...);


Leitura da mente (minha amiga pensará que sou mal educada se não comer o bolo que ela fez...)


Exagero (não suporto estar com fome...) entre outros..


Características/Objetivos da Terapia Alimentar:


Acompanhamento semanal no consultório


Ensina a pensar como uma pessoa magra


Mantém a motivação do paciente


Plano alimentar personalizado


Educação nutricional


Monitoração do peso e % de gordura



segunda-feira, 5 de setembro de 2011

O que fazer para não desistir da dieta : A importância das reconsultas

Procurar uma nutricionista vai além de buscar uma dieta equilibrada, procurar uma nutricionista é ir atrás de um resultado.

Para a maioria das pessoas, emagrecer é mais fácil no inicio do tratamento nutricional porque a sua motivação e autoconfiança estão altas. Em determinado momento, porém, as dificuldades começam a aparecer.

A vida interfere de tal maneira que aderir à dieta requer um esforço considerável. Os desejos se tornam mais intensos e algumas pessoas perdem o foco tendo pensamentos sabotadores como:


• Não deveria ser difícil assim
• Nunca serei capaz de fazer isso
• Não quero mais fazer dieta

É normal às vezes, sentir-se sobrecarregado e desmotivado. É natural ter dúvidas a respeito da própria capacidade para continuar fazendo o que você sabe que precisa, mas não é certo permitir que esses pensamentos o sobrecarreguem. Para pensamentos que o desmotivam você tem uma escolha: permitir que eles desgastem sua motivação, fazendo você desistir e abandonar a sua meta, ou reagir vigorosamente a eles, sentir-se melhor, ficar mais motivado e continuar a trabalhar na direção dos seus objetivos. 

Portanto, se você tem dificuldade em seguir a dieta, procure retornar às consultas de 15 em 15 dias, pois é durante as reconsultas, que o nutricionsta irá trabalhar para garantir a manutenção da motivação, que consequentemente resultará na tão esperada perda de peso.

Postada por: Ana Carolina Bragança , fonte: Pense Magro-Judith S.Beck

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

DIFERENCIE FOME, VONTADE E DESEJO INCONTROLÁVEL DE COMER

Muitas pessoas apresentam dificuldades para diferenciar entre a verdadeira fome (quando você está em jejum por várias horas e seu estomago está vazio), à vontade de comer (não é fome propriamente dita, mas a idéia de comer porque há comida por perto) e desejo incontrolável (uma urgência emocional e fisiológica intensa de comer). Curiosamente, muitas pessoas acham que podem explicar a diferença, mas não sabem. E você? Pense em algumas ocasiões passadas, quando você comeu bem, talvez em algum restaurante ou celebração em família. Imagino que você já tenha tido pensamentos como: Eu ainda estou com fome. Acho que vou repetir. Estou com fome de doce. Se isso já aconteceu, você confundiu fome e vontade de comer.


MONITORANDO SUA FOME

Como você sabe que está com fome de verdade? Pense em três situações recentes nas quais tenha ocorrido o seguinte:

• Você ficou sem comer por muito tempo (por mais de 4 horas) e se sentiu bastante faminto. Aquela sensação de vazio, freqüentemente acompanhada de ruídos no estômago, era fome.

• Você comeu uma boa refeição e ainda quer comer mais. Isso era vontade.

• Você sentiu uma urgência muito forte de comer, que veio acompanhada de tensão e de uma desagradável sensação na boca, garganta e corpo. Isso era desejo.


A maioria das pessoas que faz dieta para emagrecer tem dificuldade em distinguir a fome verdadeira da vontade e do desejo incontrolável de comer.

Para aprender a diferenciar melhor essas sensações, escolha um dia para observar o que você sente antes, durante e depois de comer.

Antes de se sentar para fazer cada refeição ou lanche, observe as sensações em seu estômago.
Fonte: Pense Magro-Judith S. Beck

Aprender a diferenciar essas sensações é meio caminho andado para conseguir seguir corretamente a dieta preescrita pelo seu nutricionista.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Acostuamando o paladar a comer alimentos diferentes

Crianças “chatas” para comer são relativamente comuns, mas esse problema também atinge os adultos. Adultos "chatos" para comer, são as mesmas crianças "chatas" que ainda não se acostumaram com os diferentes tipos de alimentos, como os vegetais por exemplo. Porém  para mudar de hábitos alimentares mesmo depois de grande é preciso ter força de vontade e querer levar uma vida mais saudável.  Basta acostumar o paladar : Provar um determinado alimento por pelo menos 10 vezes!

terça-feira, 26 de julho de 2011

Cérebro demora 20 min para registrar que estômago está cheio

Quando estamos com muita fome, o primeiro impulso é comer tudo o que tem pela frente e repetir em seguida – sem falar da sobremesa. O problema é que o cérebro leva cerca de 20 minutos, a partir da primeira garfada, para registrar que o estômago está cheio. Portanto, quanto mais rápido você se alimentar, mais tenderá a comer e a engordar.