quinta-feira, 13 de março de 2014

O QUE É ORTOREXIA NERVOSA?

O termo ortorexia nervosa vem do grego “orthos”, que significa “correto”, e “orexis”, que quer dizer “apetite”. Foi utilizado pela primeira vez em 1997 por Steven Bratman para designar um quadro obsessivo caracterizado por fixação pela saúde alimentar, que resulta na criação de rituais e adoção de uma dieta restritiva, com consequente isolamento social1,2. 
 
A ortorexia nervosa não é reconhecida oficialmente como um transtorno alimentar (TA) e ainda existem poucas publicações sobre o tema na literatura científica. No entanto, a discussão sobre quando o comportamento alimentar se torna “obsessivamente saudável” deverá aumentar nos próximos anos, sendo de interesse para profissionais de saúde que trabalham com a promoção de hábitos alimentares saudáveis3.
 
As características observadas em indivíduos com ortorexia nervosa incluem a preocupação exagerada com a escolha dos alimentos e com a pureza da dieta, que deve ser livre de agrotóxicos, corantes, conservantes, ingredientes geneticamente modificados e excesso de gorduras saturadas, sal e açúcar. Também podem fazer parte do ritual obsessivo o modo de preparo dos alimentos (ex: somente hortaliças cortadas de determinada maneira) e os utensílios utilizados (ex: somente cerâmica, madeira, etc). Neste contexto, a alimentação passa a ser a preocupação central do dia a dia, para a qual o indivíduo dedica cada vez mais tempo1,2,3.
 
Os aspectos da personalidade das pessoas mais vulneráveis à ortorexia podem, segundo Bartrina (2007)1, ser semelhantes àqueles observados na anorexia nervosa. São, em geral, pessoas meticulosas, perfeccionistas, organizadas, com uma necessidade exagerada de autocuidado e proteção. Porém, diferente da anorexia nervosa, cuja ideologia é focada na perda de peso, a ortorexia busca alcançar a “dieta saudável perfeita”. Nesse sentido, o comportamento ortoréxico traz a criação de regras rígidas e a sensação de superioridade e desprezo em relação às pessoas que não adotam as mesmas normas em sua alimentação e estilo de vida3.
 
O diagnóstico pode ser feito por meio de um instrumento validado por pesquisadores italianos, intitulado ORTO-15. Este contém questões de múltipla escolha abordando atitudes obsessivas relacionadas à escolha, aquisição, preparo e consumo de alimentos considerados saudáveis4. A partir desta ferramenta, estudos internacionais sugerem que estudantes de medicina, médicos, nutricionistas, pessoas com sintomas de ansiedade e que supervalorizam o corpo perfeito constituem grupos suscetíveis ao desenvolvimento da ortorexia nervosa3.
 
No Brasil, o tema foi estudado por Alvarenga et al. (2012)5, que investigaram o comportamento ortoréxico em uma amostra de 392 nutricionistas que responderam ao teste ORTO-15 online, em versão em português. Foi possível observar uma tendência ao comportamento ortoréxico, em aspectos como a escolha de alimentos relacionada à qualidade nutricional ao invés do sabor, a crença de que alimentos saudáveis podem melhorar a aparência física e a rejeição de escolhas alimentares consideradas como transgressões. Mas, novas investigações são necessárias para confirmar a validade e confiabilidade do instrumento traduzido para uso em nossa população1, a fim de conhecer a prevalência da ortorexia.
 
O tratamento da ortorexia requer a participação de equipe multidisciplinar, composta por médicos, psicólogos e nutricionistas especializados. Tão importante quanto é o debate entre profissionais de saúde e toda a sociedade sobre o que significa a “alimentação saudável”, que não deve ser vista apenas do ponto de vista biológico, classificando alimentos em “bons”ou “ruins”, “saudáveis” ou “não saudáveis”, e sim em sua totalidade que engloba aspectos sociais, culturais, religiosos, entre outros3.
 
Referências:
1) Bartrina JA. Ortorexia o la obsesión por la dieta saludable. Archivos Latinoamericanos de Nutrición 2007; 57(4): 313-315.
 2) Bratman S, Knight D. Health Food Junkies: Orthorexia Nervosa: Overcoming the Obsession with Healthful Eating. New York: Broadway Publisher; 2001.
 3) Martins MCT, Alvarenga MS, Vargas SVA, et al. Ortorexia nervosa: reflexões sobre um novo conceito. Rev Nutr 2011; 24(2): 345-357.
 4) Donini LM, Marsili D, Graziani MP, et al. Orthorexia nervosa: validation of a diagnosis questionnaire. Eat Weight Disord. 2005; 10(2):e28-e32.
 5) Alvarenga MS, Martins MC, Sato KS, et al. Orthorexia nervosa behavior in a sample of Brazilian dietitians assessed by the Portuguese version of ORTO-15. Eat Weight Disord 2012; 17(1): e29-35.
 

NOVOS MECANISMOS DE SACIEDADE A SENSAÇÃO DE SACIEDADE É INFLUENCIADA DE MUITAS MANEIRAS ALÉM DOS PEPTÍDEOS INTESTINAIS

A sensação de saciedade, ou seja, de satisfação do apetite após uma refeição, envolve a modulação da distensão gástrica, mudanças na motilidade intestinal e a secreção de hormônios gastrointestinais que suprimem a fome, como colecistocininina (CCK), peptídeo semelhante ao glucagon 1 (GLP-1) e peptídeo YY (PYY). Além destes mecanismos já conhecidos, alguns outros são investigados na literatura atual3,4.
A composição de macronutrientes da dieta é capaz de modular o apetite e sabe-se que as proteínas têm o maior poder de conferir saciedade. No sistema nervoso central, aminoácidos circulantes e peptídeos intestinais desencadeiam a ativação de neurônios adrenérgicos e noradrenérgicos no núcleo do trato solitário e de neurônios do sistema das melanocortinas no núcelo arqueado, tendo efeito anorexigênico. Há também evidências de que os níveis circulantes de leucina possam modular a ingestão alimentar, influenciando sensores de energia no núcleo arqueado do hipotálamo e de que dietas ricas em proteínas levam à inibição da ativação de neurônios opióides e que secretam GABA no núcleo accumbens, com consequente supressão da ingestão alimentar via diminuição da resposta hedônica aos alimentos2.
De acordo com Fromentin et al. (2012)2, no futuro ainda será necessário estudar de forma mais precisa a interação entre diferentes áreas do cérebro e a adaptação de circuitos neuronais em decorrência da ingestão de dietas ricas em proteínas. Outra área de estudo é a que investiga o impacto da ativação de proteases bacterianas a partir do escape da digestão de proteínas dietéticas e endógenas, que permite que frações proteicas cheguem ao intestino grosso, onde geram substratos de diversas estruturas. Este papel das proteínas no controle da ingestão alimentar via microbiota intestinal ainda é praticamente desconhecido.

A sensação de saciedade desencadeada por proteínas também parece ser mediada por receptores µ opióides (MORs) na veia porta. Segundo de Vadder et al. (2013)1, a digestão de proteínas libera peptídeos na circulação portal que agem como antagonistas de MORs, iniciando um circuito entre intestino e cérebro que resulta na indução de gliconeogênese intestinal (IGN), função relacionada à saciedade. A indução da IGN parece ser um dos fatores responsáveis pela inibição da fome observada em pacientes após do procedimento bypass gástrico, um dos tipos de cirurgia bariátrica realizada em casos de obesidade mórbida.
Em suma, o progresso recente da ciência nos permitiu entender como os macronutrientes, especialmente as proteínas, sinalizam ao cérebro para promover redução do apetite e da ingestão alimentar, e a importância de neurônios extrínsecos ao sistema gastrointestinal, como os que expressam MORs, na percepção e envio dos sinais de saciedade ao cérebro. As especificidades destes mecanismos permanecem a ser elucidadas, com potencial de resultar no desenvolvimento de novas abordagens para o tratamento e prevenção de doenças metabólicas que decorrem do desbalanço entre ingestão e gasto de energia, responsável pelo ganho de peso3.
Referências:

1) De Vadder F, Gautier-Stein A, Mithieux G. Satiety and the role of μ-opioid receptors in the portal vein. Curr Opin Pharmacol 2013 pii: S1471-4892(13)00163-X.
2) Fromentin G, Darcel N, Chaumontet C, et al. Peripheral and central mechanisms involved in the control of food intake by dietary amino acids and proteins. Nutr Res Rev 2012; 25(1): 29-39.
3) Mithieux G. Nutrient control of hunger by extrinsic gastrointestinal neurons. Trends Endocrinol Metab 2013; 24(8): 378-384.
4) Schwartz GJ, Zeltser LM. Functional organization of neuronal and humoral signals regulating feeding behavior. Annu Rev Nutr 2013; 33: 1-21.

NOVO SÍMBOLO PARA ALIMENTAÇÃO SAUDÁVEL

A equipe de especialistas de Harvard desenvolveu uma versão adaptada do novo guia alimentar americano, o My Plate.
 O novo guia, denominado Healthy Eating Plate, oferece recomendações mais específicas e mais precisas sobre quantidades e tipos de alimentos, o que facilita as escolhas alimentares e introdução de hábitos saudáveis.

 






















Entre as diferenças, as principais são que o novo guia:
1] incentiva o consumo de alimentos integrais;
2] promove o consumo de alimentos fonte de proteína vegetal e animal, ricos em nutrientes saudáveis como soja, peixes, feijões, aves e oleaginosas;
3]estimula, em abundância, o consumo de leguminosas e hortaliças;
4] coloca o grupo das frutas na parte inferior do prato, sob o grupo das hortaliças, uma vez que o número de porções é menor;
5] incentiva o consumo de óleos saudáveis (azeite, óleo de canola, girassol e cremes vegetais provenientes desses óleos), com o objetivo de auxiliar na redução das doenças cardiovasculares;
6] encoraja a ingestão de água;
7] incentiva à prática de exercícios.

COMPORTAMENTO ALIMENTAR: NOVAS LINHAS CONCEITUAIS

O comportamento alimentar engloba os procedimentos relacionados às práticas alimentares (o que se come, quanto, como, quando, onde e com quem se come; a seleção de alimentos e os aspectos referentes ao preparo da comida), que por sua vez estão associados a atributos socioculturais, ou seja, aos aspectos subjetivos individuais e coletivos relacionados ao comer e à comida1. Vários estudos publicados nos últimos anos confirmam a importante influência do ambiente e do autoconhecimento sobre o comportamento alimentar2. Alguns conceitos têm sido discutidos, como os de mindful eating, intuitive eating e midless eating, os quais serão abordados a seguir.

O mindful eating, ou “comer consciente”, está relacionado a prestar atenção aos sinais de fome e saciedade. Envolve a diminuição do ritmo das refeições, valorizando a mastigação e o ato de saborear os alimentos; alimentar-se distante de distrações como televisão e computador; estar ciente dos sinais de fome e saciedade e utilizá-los para tomar a decisão de começar e terminar as refeições; reconhecer as respostas aos alimentos, como gostar e não gostar; escolher os alimentos que sejam prazerosos e nutritivos utilizando todos os sentidos ao comer; ter conhecimento e refletir sobre os efeitos causados por uma alimentação inconsciente, por exemplo, motivada por angústia, tédio ou tristeza e praticar a meditação como parte da vida4.

Um estudo com 150 pacientes obesos com diagnóstico de transtorno de compulsão alimentar que utilizaram ferramentas de conscientização do comer e meditação mostrou que a técnica levou à redução da compulsão e do número de episódios de comer dirigido pela emoção3,4.
O intuitive eating, ou “comer intuitivo”, é um conceito complementar ao mindful eating, mas não necessariamente envolve a ideia de meditação. Os três principais componentes do comer intuitivo são: permissão incondicional ao comer, alimentar-se essencialmente por razões físicas ao invés de emocionais, e basear-se nos sinais internos de fome, plenitude e saciedade.  Um trabalho que acompanhou 1400 indivíduos demonstrou que aqueles que seguiam os princípios do comer intuitivo tinham menor peso corporal e maior sensação de bem estar, sem demonstrar preocupação excessiva com um tipo físico ideal5.

A ideia do comer sem restrições parece complicada a princípio, uma vez que as estratégias de aconselhamento geralmente se baseiam na definição de alimentos permitidos e proibidos. No entanto, segundo os pesquisadores da área, é justamente ao remover a noção de alimentos “ruins” ou “vilões” que as pessoas livram-se da culpa, a qual gera episódios de restrição e posteriormente a compulsão, que se torna um ciclo vicioso4.

“Mindless eating”, ou “comer sem pensar”, são as decisões sobre alimentação que ocorrem em meio à distração que o ambiente proporciona7. Esta distração é induzida pelos grandes tamanhos de porções de alimentos vendidas em supermercados ou oferecidas nos restaurantes, bem como pela pressa em comer ou pelo hábito de comer em frente à televisão. As intervenções baseadas nestes conceitos buscam capacitar as pessoas para perceber a influência do ambiente sobre sua alimentação, a fim de alterá-las de forma positiva6.

Assim, o nutricionista, em posse de um conhecimento mais aprofundado sobre os determinantes do comportamento alimentar, pode auxiliar o paciente a buscar autoconhecimento com relação aos seus sinais de fome e saciedade, além de incentivá-los a fazer as refeições com calma, saboreando os alimentos. Isto para que o comer deixe de ser automático e guiado totalmente pela influência do ambiente2, e se torne uma decisão voluntária para uma alimentação saudável, prazerosa e sem culpa.

Referências:
1) Alves HJ, Boog MCF. Comportamento alimentar em moradia estudantil: um espaço para promoção da saúde. Rev Saúde Pública 2007; 41(2): 197-204.
2) Cohen D, Farley TA. Eating as an automatic behavior. Prev Chronic Dis 2008; 5(1): A23.
3) Kristeller JL, Wolever RQ. Mindfulness-based eating awareness training for treating binge eating disorder: the conceptual foundation. Eat Disord 2011; 19(1): 49-61.
4) Mathieu J. What should you know about mindful and intuitive eating? J Am Diet Assoc 2009; 109(12): 1982-1987.
5) Tylka TL. Development and psychometric evaluation of a measure of intuitive eating. J Couns Psychol 2006; 53: 226-240.
6) Wansink B. From mindless eating to mindlessly eating better. Physiology & Behavior 2010; 100: 454–463.
7) Wansink B, Sobal J. Mindless Eating: the 200 daily food decisions we overlook. Environment and Behavior 2007; 39(1): 106-123. 

quarta-feira, 12 de março de 2014

Descubra os riscos do excesso de sódio para a saúde e veja dicas de nutricionista

 
Você costuma observar a quantidade de sódio ao escolher um alimento no supermercado? O blog pediu a ajuda da nutricionista Glaube Riegel, da Clínica Nutrissoma, para explicar os riscos do consumo de sódio em excesso e dar dicas de como reduzir a quantidade ingerida diariamente.
 
SÓDIO É uma molécula que age junto com o mineral potássio para regular pressão e manter o equilíbrio do nosso organismo, além de ser importante para a transmissão dos impulsos nervosos e o estímulo muscular. É encontrado nos alimentos na forma de cloreto de sódio, o sal de cozinha.
 
RISCOS DO CONSUMO DE SÓDIO EM EXCESSO
1) Hipertensão (pressão alta), que é fator de risco para o desenvolvimento de doenças crônicas como:
* Acidente Vascular Cerebral (AVC)
* Infarto do Miocárdio
* Aneurisma
* Hipertrofia do ventrículo esquerdo
* Doenças neurologias (demência, alzheimer, entre outras)
* Insuficiência renal Crônica
* Insuficiência cardíaca
* Doenças respiratórias (Asma)
2) Retenção de líquidos, que causa a sensação de inchaço podendo provocar uma variação no peso do indivíduo, principalmente em mulheres na época da TPM e no período menstrual.
 

 
QUANTIDADE DIÁRIA
Segunda a sociedade Brasileira de Hipertensão (SBH), é recomendado para adultos, com ingestão de aproximadamente 2.000 kcal/dia, cerca de 2.300 mg de cloreto de sódio. O sal de cozinha é composto por aproximadamente de 40% de sódio. Então 1g de sal de cozinha tem 400mg de sódio. Com isso, um individuo adulto pode consumir menos de 6g de sal por dia. Em medidas caseira, representa uma colher de chá.
CINCO DICAS PARA REDUZIR O CONSUMO DE SÓDIO
- Cozinhe com pouco sal ou sem sal
- Prepare os alimentos com temperos que não tenham sódio como: manjericão, folhas de louro, curry, alho, gengibre, orégano, pimenta e hortelã.
- Retire o sal da mesa e experimente sua refeição antes de adicionar o sal
- Leia os rótulos atentamente, verifique o teor de sódio e escolha aqueles com baixo teor. Alimentos industrializados, em geral, tem muito sódio em sua composição
- Alimentos preparados em salmoura, como conservas, devem ser evitados ou não consumidos. Carnes salgadas ou defumadas assim como salsichas, embutidos, presuntos, queijos processados, condimentos, cubos de caldo de carnes, molho de soja, ketchup e mostardas em geral apresentam em sua composição alto teor de sódio e devem se consumidos com moderação ou evitados.
COMO NÃO EXTRAPOLAR
Em geral, produtos processados ou industrializados têm, em sua composição, teor de sódio muito alto. O que devemos fazer é consumir o máximo possível de alimentos não industrializado e controlar a utilização de sal no preparo das refeições ao longo do dia.
Lembrando que o consumo de sódio/dia é de 2.300 mg e que todos os alimentos (mesmo não industrializados) já apresentam sódio na sua composição.
DICA
Atenção à rotulagem dos alimentos:
Em 100g de alimento:
Menos 120mg de sódio - Bom
120 à 600mg de sódio - Moderado (evitar)
Mais de 600mg de sódio - Muito alto- proibido
 
Fonte: Reportagem publicada pelo site Clic RBS, escrito pela nutricionista Glaube Riegel
Confira a reportagem original na íntegra clicando aqui

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Uma das marcas de suplementos alimentares mais conhecidas foi objeto de estudos clínicos sobre intoxicação no fígado

Uma das marcas de suplementos alimentares para emagrecer mais conhecidas no mundo, foi objeto de estudos clínicos sobre intoxicação no fígado na Suíça e em Israel, e publicados em 2007 no Journal of Hepatology, revista científica européia, uma das mais conceituadas na área. Ambos os estudos relacionam o uso de produtos da marca Herbalife® e lesões hepáticas graves, como morte de células ou parte do tecido do fígado (necrose) e inflamação do fígado (hepatite)."
 
Gostaria de deixar claro que não tenho nenhuma restrição com a marca, apenas estou postando um estudo científico que foi publicado no Journal of Hepatology. Para ver a revista na íntegra clique aqui
 


Saiba o que fazer para amenizar os efeitos do calor no organismo

Minha participação na reportagem publicada no jornal da zero hora em 07/02/2014.
Para ler a matéria original clique aqui
 
Não está fácil suportar o forte calor que tem feito no Estado neste verão. As temperaturas no dia nesta quinta-feira mais uma vez sufocaram os gaúchos e Porto Alegre registrou a temperatura mais alta dos últimos 71 anos: 40,5°C. Só perdeu para o ano de 1943, quando a Capital alcançou 40,7°C.
Enquanto os termômetros seguem atingindo marcas históricas, o nosso organismo parece pedir socorro: a temperatura do corpo também sobe e incômodos como tontura, dor de cabeça e indisposição chegam para completar o indigesto cenário destes dias escaldantes.
— O calor causa um maior relaxamento das artérias, que se dilatam em todas as áreas do corpo, inclusive na cabeça. Essa vasodilatação pode gerar sensação de cansaço, fadiga, queda na pressão arterial e até desmaios — explica o chefe do serviço de geriatria do Hospital São Lucas da PUCRS, Rodolfo Schneider.
A temperatura elevada também aumenta o metabolismo do organismo, que passa a produzir mais suor para se proteger. Mas essa proteção se torna um problema quando o líquido perdido não é reposto. Com menos líquido, o corpo perde seu equilíbrio, tem mais dificuldade para o sangue circular no rim e desidrata. As consequências podem ser sérias, indo desde a indisposição, a falta de consciência ou até a morte, nos casos mais críticos.
— Os idosos e as crianças são os mais atingidos pela desidratação. Os mais velhos já dispõem naturalmente de menos água no organismo e também sentem menos sede. Já os bebês são prejudicados pelo excesso de pele, que os leva a suar e perder mais líquido. É preciso uma oferta constante de água a esses dois grupos para evitar o problema — alerta Schneider.

Doenças gastrointestinas são comuns nesta época
Nos postos de saúde, são as doenças gastrointestinais que levam as pessoas a formar filas em busca de atendimento. O calor facilita muito a decomposição dos alimentos e, consequentemente, a contaminação. Além disso, algumas viroses sazonais típicas desta época do ano também podem levar a quadros de desidratação.
— As altas temperaturas são ideais para o desenvolvimento de vírus, bactérias e parasitas que causam as infecções gastrointestinais. Se os alimentos ficam foram do armazenamento adequado, mesmo que por apenas uma hora, a decomposição já começa — explica o infectologista do Hospital de Clínicas Luciano Goldani.
 
Náuseas, vômitos, dor de barriga e diarreia são os sintomas mais comuns. A maioria dos casos se resolve facilmente, mas é preciso atenção para que o problema não evolua para uma infecção ou mesmo uma hemorragia. Ingerir bastante líquido e ter cuidado redobrado com a higiene são formas de evitar as complicações.
 
A alimentação adequada é uma grande aliada para amenizar o calor nos dias quentes. Alimentos leves como as frutas, verduras, legumes, folhas verdes têm são ricos em água, vitaminas e minerais, ajudando a hidratar o corpo e facilitam a digestão.
 
— O organismo tende a digerir os alimentos mais lentamente no calor. Por isso, alimentos gordurosos e industrializados podem causar desconforto abdominal, cólicas e mal estar — pondera a nutricionista Ana Carolina Bragança.
 
Já que São Pedro não está ajudando os gaúchos neste verão, a solução é buscar a forma mais amigável de conviver com o calor. Veja algumas dicas.
As doenças mais comuns do verãoA médica de família Claudia Silbermann dá dicas para evitar os principais problemas que levam pacientes a procurar postos de saúde durante o verão.
1. Desidratação Aumentam os casos de diarreia, causados por viroses sazonais, típicas desta época do ano, que podem levar a quadros agravados de desidratação, principalmente em crianças e idosos. Recorrer a uma alimentação leve e ingerir água fervida são alguns dos cuidados.
2. Intoxicação alimentar O calor facilita a proliferação de bactérias, que podem contaminar alimentos e causar intoxicações, inclusive com necessidade de internação. É preciso prestar atenção na procedência e na conservação dos alimentos, além da higiene no preparo.
3. Insolação Queimaduras de pele graves são raras, mas ainda surgem casos de tontura ou vômito causados pelo excesso de exposição ao sol. A recomendação é evitar os horários de sol mais forte (entre 10h e 16h) e sempre usar protetor solar, chapéu ou boné.
4. Bicho de péÉ causado por uma pulga que circula no ambiente durante o verão. Se tiver animais domésticos, é importante dar banho com frequência, pois eles carregam o inseto nas patas. Vale também evitar andar de pés descalços, principalmente na areia.
5. DengueFebre alta e dor de cabeça são os principais sintomas. O combate aos focos do mosquito transmissor da doença passa por evitar acúmulo de água parada em recipientes como pneus, garrafas e vasinhos de plantas, além de manter piscinas tratadas.
Como evitar a contaminação dos alimentos e as infecções gastrointestinais:
— Não deixe nenhum alimento fora do armazenamento por mais de uma hora
— Redobre a atenção ao comer em restaurante que oferecem bufê, observando se a comida está exposta em um local bem refrigerado, especialmente aqueles alimentos que levam maionese
— Lavar as mãos é simples e fundamental para evitar a proliferação das viroses. Uma pessoa que está com infecção pode contaminar os alimentos pelas mãos
— O álcool gel, tão usado no inverno para evitar as doenças respiratórias, também deve estar sempre disponível no verão. Ele é uma ótima opção para higienizar as mãos antes de consumir um alimento na beira da praia, por exemplo, onde nem sempre há lavatórios disponíveis
— Não subestime a indicação dos locais impróprios para banho. A água contaminada é uma fonte de infecções
Para evitar a desidratação e amenizar o calor:
— Beber água é a chave para evitar a desidratação. A recomendação dos especialistas é de, pelo menos 1,8 a 2 litros por dia. O ideal é que ela esteja abaixo da temperatura ambiente, o que possibilita a troca de calor e refresca o corpo
— O banho gelado também ajuda a refrescar. A lógica é a mesma da ingestão de água: se a temperatura estiver abaixo do registrado no ambiente, proporciona troca de calor
— Colocar uma toalha molhada no pescoço, pulsos e virilha é outra forma de gerar a troca de calor e amenizar as altas temperaturas. É uma forma de amenizar o calor na hora de dormir
— Se o calor causar mal estar, o melhor a fazer é procurar algum lugar para deitar. Permanecer na posição horizontal faz o sangue circular melhor e chegar mais facilmente ao cérebro, evitando o desmaio
Os alimentos amigos do organismo no calor:
Água mineral, água de coco, chás e sucos de frutas sem açúcar
Frutas: melão, melancia, kiwi, abacaxi, laranja, mirtilo, framboesa, morango, pêssego e uva
Vegetais: alface, tomate, pepino, abobrinha, chuchu
Doces: sobremesas e picolés à base de frutas
E os inimigos:
Alimentos processados industrializados
Queijos gordos
Carnes gordas
Vísceras
Creme de leite
Doces a base de ovos
Maionese
Embutidos (linguiça, salsicha, mortadela e salame)
Bebidas alcoólicas